Experience: Montevidéu, Uruguai
Da primeira visita de trabalho aos desafios da logística no Mercosul: o que o Uruguai me ensinou sobre operação, fronteiras e, acima de tudo, pessoas.
Na semana passada, em seu discurso na ONU, o presidente Lula destacou o legado de valores humanos representado pelo ex-presidente uruguaio José Mujica e pelo papa Francisco.
Ver essa seleção de nomes me emocionou profundamente. Admiro Mujica há muito tempo, e o Uruguai sempre terá um lugar muito especial no meu coração.
Uma operação que parecia reunião de família
Lembro com nitidez da minha primeira visita de trabalho ao país. Era uma manhã muito fria, e a equipe de entregadores tomava seu mate antes de sair para as rotas. Era uma operação muito pequena, conduzida por pessoas extremamente dedicadas, e cada dia parecia, de fato, uma reunião de família.
Montevidéu
Capital do Uruguai, Montevidéu tem cerca de 1,3 milhão de moradores e quase 2 milhões na região metropolitana, o que faz dela o coração pulsante do país. A cidade mistura arquitetura colonial, art déco e modernista, com uma cultura movida pelo candombe, pelo tango e pelo teatro. Quem for a Montevidéu não pode deixar de conhecer a Rambla, o icônico Palacio Salvo, o histórico Teatro Solís e o saboroso Mercado del Puerto, todos símbolos do charme único da cidade.
Três desafios de quem opera logística no Uruguai
- Burocracia nas fronteiras. Ela continua atrasando as travessias e impede o país de realizar seu potencial como verdadeiro hub do Mercosul. Os caminhões enfrentam longas filas e procedimentos diferentes em cada ponto de entrada para o Brasil e a Argentina.
- Escala. O mercado interno pequeno e a escala limitada levam a custos logísticos altos e a menos investimento em infraestrutura avançada, em comparação com os vizinhos maiores.
- Concorrência portuária. Gigantes próximos, como Buenos Aires, Itajaí e Santos, muitas vezes ficam com os fluxos regionais.
Além disso, as regras internas do Mercosul e a postura protecionista de Argentina e Brasil limitam a capacidade do Uruguai de assinar novos acordos comerciais por conta própria, o que prende o país às políticas comerciais mais restritivas do bloco.
O maior ativo do Uruguai
Apesar desses obstáculos, o maior ativo do Uruguai continua sendo o seu povo. O forte senso de família e as tradições profundas unem as comunidades, seja ao compartilhar o mate, seja ao celebrar o asado. Gente especial como José Mujica, que imaginou um Uruguai construído sobre solidariedade, simplicidade e igualdade, onde “ninguém é mais do que ninguém” e a verdadeira riqueza de uma nação está no bem-estar de seus cidadãos.
